Por Luiz Carlos Bordin
Estadão
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) divulgou ontem uma atualização em suas diretrizes de rastreamento e diagnóstico do diabetes tipo 2, abaixando de 45 para 35 anos a idade mínima para adultos assintomáticos serem submetidos aos testes. Entre as 15 novas recomendações, destaca-se também a preferência pelo teste de tolerância oral à glicose (TOTG) de uma hora, em vez do exame de duas horas utilizado até então.
Segundo a SBD, a mudança visa detectar precocemente alterações no metabolismo da glicose, permitindo intervenção mais rápida com mudanças de estilo de vida e, se necessário, medicação. Estudos recentes apontam que o diabetes tipo 2 tem se manifestado em faixas etárias mais jovens, em parte devido ao aumento da obesidade e sedentarismo na população.
O TOTG de uma hora consiste na dosagem de glicose no sangue 60 minutos após a ingestão de uma solução açucarada, sendo considerado mais prático e confortável tanto para o paciente quanto para os laboratórios. A SBD salienta que, além da redução do tempo de espera, o teste de uma hora apresenta sensibilidade igual ou superior na identificação de intolerância à glicose.
Principais mudanças nas recomendações da SBD:
Idade de rastreamento: adultos assintomáticos a partir de 35 anos (antes, 45 anos).
Teste preferencial: TOTG de uma hora em substituição ao TOTG de duas horas.
Frequência: a cada três anos para indivíduos com glicemia de jejum normal; anual para aqueles com fatores de risco (sobrepeso, hipertensão, histórico familiar).
Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo consideram que a atualização pode ampliar a detecção precoce e reduzir complicações graves, como doenças cardiovasculares e renais. A recomendação já está disponível no site da SBD e deve ser incorporada por clínicas e laboratórios em todo o país nas próximas semanas.